Da costura sob encomenda à produção em série
O que muda ao passar de costurar uma peça por vez para a produção em série: moldes, enfesto, tamanhos, custos e organização do trabalho.
Não é costurar mais rápido: é costurar diferente
Costurar sob encomenda e produzir em série são dois ofícios que compartilham a máquina e pouco mais. Na costura sob encomenda, cada peça é pega, cortada e costurada do começo ao fim: o tempo vai nas transições. Na produção em série, tudo é cortado junto e se costura uma operação por vez em todas as peças: o tempo vai na operação.
Quem tenta produzir em série com mentalidade de encomenda acaba fazendo vinte peças uma a uma e esgotado, sem ter ganhado escala.
A primeira coisa que muda: o molde
Na costura sob encomenda, você toma as medidas do cliente e ajusta a peça àquele corpo. Na produção em série isso é impossível: é preciso produzir para uma grade de tamanhos, não para uma pessoa.
Por isso a primeira mudança é deixar de traçar sob medida e passar a um molde graduado, com a grade de tamanhos completa já resolvida. É o que permite cortar cinquenta peças em sete tamanhos diferentes sem redesenhar nada.
A segunda mudança: cortar muitas de uma vez
Na produção em série você não corta peça por peça: enfesta o tecido em várias camadas, coloca por cima todos os moldes encaixados juntos e corta tudo de uma vez. Um enfesto de dez camadas corta dez peças no tempo que se leva para cortar uma.
Só essa mudança costuma ser a que mais economiza tempo em toda a transição, e não exige comprar nenhuma máquina nova para começar.
A terceira mudança: costurar por operação
Em vez de terminar uma peça inteira, você faz a mesma costura nas cinquenta: todos os ombros, depois todas as mangas, depois todas as laterais. A máquina é enfiada uma só vez por operação e a sua mão pega o ritmo.
Se mais de uma pessoa costura, isso também permite dividir o trabalho por operação em vez de por peça, que é onde a produtividade realmente aparece.
O que decidir antes de começar
- Quantos modelos: poucos e bem-feitos, não muitos e malfeitos.
- Quantas unidades de cada tamanho: os tamanhos intermediários vendem mais, então o corte não se divide em partes iguais.
- Quanto tecido: medido a partir do consumo real de tecido do molde, não estimado.
- O que terceirizar: cortar e costurar tudo em casa limita seu volume mais cedo do que você imagina.
O erro mais caro da transição
Cortar a produção inteira sem ter costurado uma peça-piloto. Na costura sob encomenda, você encontra o erro com a peça no corpo e corrige ali mesmo. Na produção em série, o erro se multiplica pelo número de peças cortadas e não tem mais conserto.
A peça-piloto feita antes de enfestar o tecido é a única defesa, e é barata: uma peça.
Perguntas frequentes
- O que preciso para passar da costura sob encomenda à produção em série?
- Moldes graduados com a grade de tamanhos completa, corte por enfesto em vez de peça por peça e costura por operação em vez de terminar uma peça inteira antes de começar a próxima.
- Preciso comprar máquinas novas para produzir em série?
- Não para começar. A mudança que mais economiza tempo (cortar por enfesto e costurar por operação) é feita com as mesmas máquinas. Máquinas novas se justificam quando seu volume já as exige.
- Quantas unidades de cada tamanho devo produzir por modelo?
- A grade toda, mas não em partes iguais: os tamanhos intermediários vendem bem mais que os extremos, então as quantidades de corte precisam refletir essa distribuição.